quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ida

a Fal

Violência. Quando Cardoso partiu, em seus braços,
seus braços partiram em cardos violetas nas docas.
Quedas, lenços encharcados de violão tipo sem braço.
Doses de baço patinando, vida lenta, cancan sendo parto.
Cada pata abraçando uma parte de seu cantil velado.
Quase bocados de sossegos revigorados para ti em lentes.
Paquetes de dorsos pacatinhos violentados em sobras.
Viscosidade típica só de baques extirpados e lascivos.
Quando Cardoso partiu, em seus braços, violência.

… … … … … … … … … … … … … … … … …

Jogos de palavras internos tentam
dar conta da dor. Não há como.

E ela sabe disso.

Por isso, toca, segue, adiante.
À espera dos ponteiros futuros,
com merthiolate e esparadrapos.

(E uma faixa de gaze que sitie sua ferida.)

5 Comentários:

fal disse...

ah, que lindo. obrigada, querido. obrigada, muito, muito.

Mary disse...

Adorei, Remo! Não há mesmo como dar conta da dor.

Beijosss

Yara disse...

curativos não dão conta da dor
estancam a sangria
resta a ferida

resta tua prosa poética
aliterada
ferida

Sandra Regina de Souza disse...

os poemas são ótimo remédio pra essa dor!! às vezes ajudam a cicatrizar! beijos

Leandro Jardim disse...

belo e merecido!

Remo, adoro esses seus poemas de versos compridos de palavras ziguezaguedançantes!