Eis que um solo de jazz me atravessa inteiro.
Como uma mansidão, entorpecente afago,
me atropelasse todo, de cima a Plutão.
Isso é o que eu acho. Sobre o solo. De jazz.
Eu não sei bem que instrumento é. Mal faço
ideia, na verdade, sobre. Na verdade,
sou péssimo em dar lábios para imaginárias
línguas vibrando em diapasão de rio – alheio
à paz tranquila de jamais pensar ser rio.
Sou muito bom ouvindo e deixando drogar
os tímpanos. Um dom como de quem descasca
tangerinas num strip-tease só. Um dom que
só tem o quê de dom para quem possui o dom.
De sopro. Sim, de sopro. Afinal, ouvidos
contemplativos, marejados, também não
são retardados. Um quem tácito com algo
de sopro a soprar dor reticente, fininha,
aperto mesmo. Deste solo auricular,
pele de gente de tambor a biritar
goles de som do solo de jazz, sobriamente.
Um lamento que não dói, porém, enternece.
Um solo, enfim, de jazz me atravessando os dedos,
que se ajoelham renitentes ante a folha,
orelha branca, branca, branca a receber
brincos de letras góticas e caligráficas.
Um solo de jazz é como um verso na lauda.
4 Comentários:
Belo poema, Remo! Até mais bonito que vídeo, a fonte gótica, e o próprio solo de sax (opa, revelei, perdoe-me). Um poema que é um verdadeiro Jazz de letras, e que nos leva a esse estado flutuante e líquido que é escutar um música instrumental que nos comove o pensamento. É assim, meu caro, que o penso :)
grande abraço
Jardineiro
Bonito poema...
De verdade...
Consegui sentir cada som...
Parabéns
Oi, Remo!
Blog de 7 Cabeças está comemorando 3 anos com a realização de um concurso e vamos presentear nossos amigos-leitores com muita poesia!
Esperamos você em nossa festa! ;)
Concurso B7C
Abraços,
B7C
como vai o meu amigo poeta?
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