quinta-feira, 15 de julho de 2010

Santíssima Trindade

Pedra, faca, maçã.

Diria que são boas
palavras, sim senhor.
Bem cabralinas, lógico,

que não exigem tanto
afã, tanto pendor
do sujeito que atira,

corta e mastiga, mas,
tidas concretas – como
o cimento, tão cinza

e na verdade pó
–, não são mais que minério,
Invento humano e fruto.

Pedra, faca, maçã.

O menino que guarda
o momento tão linda-
mente despretensioso

na mente já de adulto
(que erra contas em prol
do ritmo, dissoluto

enquanto espraiar surdo,
permeio fluido, rufo
de fácil digestão

e desapercebido)
da criança que fora,
de marimba na mão

pedregosa mirando
na macieira a lágrima
rubrilhante mirando

a cachola de Newton
e o consequente chão
que lhe brinda com dedos

e palmas gorduchinhas
no mais-que-flerte íntimo
com a lâmina fria

a descascar a roupa
por quem não sabe que
a graça do strip-tease

está na casca e não
na boquiaberta boca
redundante em saliva

e adjetivos tais – casca,
enfim, que não apraz
o paladar e nada

nada acrescenta à vida
do menino sem linha
atada à mineral

na mão, nem mesmo cabo
lígneo a florescer
botão de aço batido.

Interessa, afinal,
após ter alvejado
o alvo dependurado,

o tal pomo desnudo
esperando a primeira
mordida displicente

que desgraçou a Bíblia,
a humanidade toda
toda e fez da costela

colher para raspar
a massa suculenta
que, em aviõezinhos,

invade dos bebês
a boca de expulsão
do paraíso, Éden.

Pedra, faca, maçã.

Pedra, faca, maçã.

Três na mesma algibeira.

Cabral, Drummond, Bandeira.

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