Pedra, faca, maçã.
Diria que são boas
palavras, sim senhor.
Bem cabralinas, lógico,
que não exigem tanto
afã, tanto pendor
do sujeito que atira,
corta e mastiga, mas,
tidas concretas – como
o cimento, tão cinza
e na verdade pó
–, não são mais que minério,
Invento humano e fruto.
Pedra, faca, maçã.
O menino que guarda
o momento tão linda-
mente despretensioso
na mente já de adulto
(que erra contas em prol
do ritmo, dissoluto
enquanto espraiar surdo,
permeio fluido, rufo
de fácil digestão
e desapercebido)
da criança que fora,
de marimba na mão
pedregosa mirando
na macieira a lágrima
rubrilhante mirando
a cachola de Newton
e o consequente chão
que lhe brinda com dedos
e palmas gorduchinhas
no mais-que-flerte íntimo
com a lâmina fria
a descascar a roupa
por quem não sabe que
a graça do strip-tease
está na casca e não
na boquiaberta boca
redundante em saliva
e adjetivos tais – casca,
enfim, que não apraz
o paladar e nada
nada acrescenta à vida
do menino sem linha
atada à mineral
na mão, nem mesmo cabo
lígneo a florescer
botão de aço batido.
Interessa, afinal,
após ter alvejado
o alvo dependurado,
o tal pomo desnudo
esperando a primeira
mordida displicente
que desgraçou a Bíblia,
a humanidade toda
toda e fez da costela
colher para raspar
a massa suculenta
que, em aviõezinhos,
invade dos bebês
a boca de expulsão
do paraíso, Éden.
Pedra, faca, maçã.
Pedra, faca, maçã.
Três na mesma algibeira.
Cabral, Drummond, Bandeira.

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